Miami, bitch

Nova York recebeu o Spring Break da NYU com vento, chuva e uma tempestade que cancelou o voo de todo mundo que eu conheço que tentou sair da cidade no sábado e me fez esperar no aeroporto Newark por mais de cinco horas. (by the way, nota mental: nunca mais voar com a American Airlines) Mas o importante é que, imprevistos a parte, chegamos em South Beach, a maior concentração de construções em Art Decó do mundo, lar dos endinheirados e dos turistas brasileiros, e um dos antros do Spring Break americano. E, mais importante, lugar de tempo bom e praia.


Ficamos num hostel onde todo mundo era ou gringo fugindo do frio da Europa, brasileiro voltando do Work Experience, ou americano querendo beber o dia todo e curtir o Spring Break. Eu e uma amiga austríaca da NYU estávamos mais num clima "vamos conciliar turismo, compras e festa como der" (o que acabou pendendo mais pro lado das compras e das festas). Mas aqui estão as highlights, com um certo atraso devido a falta de tempo e excesso de procrastinação:


Quem lembra do filme Pássaros, do Hitchcock? Se você, como eu, até hoje leva um susto toda vez que um pombo voa muito perto de você, é uma boa ideia usar óculos escuros nas praias de Miami. (todo mundo lembra o lugar que os pássaros atacam primeiro, né?) Como os pombos de Florianópolis, que hoje em dia nem ligam se você tentar pisar neles, as gaivotas de South Beach não fazem cerimônia na hora de desfilar perto da sua cabeça, e gostam de procurar comida na mão dos banhistas.


Art Decó é esse estilo vintage-feelings entre as décadas de 20 e 40. South Beach é considerado um distrito do estilo, a maior concentração do mundo, segundo os guias. Eu diria que é bem agradável andar pelas ruas observando as construções, e interessante reparar como tem sempre um grupo de frat-boys e sorotity-girls se embebedando em copos de plásticos e not giving a damn por perto.

Ah, e falando neles! O verde é um oferecimento do St. Patrick's Day, que os anglo-saxões levam muito a sério.

Tirei um dia pra realizar meus sonhos de infância e ir na Universal Studios (não rolou o pacote completo da Disney, porque Orlando fica a umas quatro horas de ônibus, mas não custa nada ter um gostinho, né?). Foto do exterior da Simpsons ride. Tentei tirar uma foto da placa vermelha, mas o cara não queria sair da frente. Então tive que incorporá-lo na paisagem.




As casas dos salva-vidas de South Beach, cada uma de um jeito, são uma gracinha. Então tinha que fazer parte do picspam.

E por último, duas coisas sooo Miami Beach (alguns diriam I'm in Miami, bitch!, a música que mais tava rolando na época).

1. Really big boobs, e 2. o apresentador de Miami Ink, cuidando da filha e conversando com amigos sobre como ele vai abrir um estúdio de tatuagem na Escócia.

Cidade em chamas

This fire is out of control,
I’m going to burn this city, burn this city




Dia 19 de março é dia de São José, aquele, o pai do Jesus que não é o Luz. Além de comemorar o dia dos pais, a Espanha inteira liga a TV pra ver as famosas Fallas de Valência. Me disseram que essa é a segunda maior festa de rua do mundo (perdendo apenas para o carnaval do Brasil). Então, rezando para que passasse longe de ser como o carnaval, me joguei em uma excursão que saiu de Madrid na manhã do dia 19 e voltaria às 6:00 do dia seguinte. Isto mesmo, 40 ônibus (só os que foram comigo) indo para Valência passar a madrugada na rua.


(sem contar que eles, muito inteligentes, pararam todos ao mesmo tempo para supostamente podermos ir ao banheiro e comer alguma coisa) #FAIL



Com todos os pontos turísticos fechados por causa do feriado e o céu monocromaticamente cinza, conhecer a cidade terá que ficar para outra oportunidade. Durante a semana das Fallas tudo se resume ao centro da cidade. Um labirinto de ruas cruzadas que não passar mil vezes pela mesma rua é um desafio. Mas em cada esquina, lá estavam elas: las Fallas.


O problema é que cada vez que começava a entender mais sobre o que se tratava a tal das Fallas, mas me confudia. Porque tudo tem esse nome. Mas vamos lá, abrasileirando tudo que é mais fácil. A festa é uma mistura de carnaval com festa junina. São José, é o padroeiro dos carpinteiros. Em homenagem a ele, há uns 100 anos, os carpinteiros começaram a fazer fogueiras enormes de madeira (festa junina feelings). Com o tempo, o amontoado de madeira começou a virar grandes esculturas de madeira, até chegar nessas que vemos hoje: temáticas e com viés visivelmente político.



Porém, Fallas também é o nome do grupo de pessoas que se reúnem para construir uma falla/escultura, que competem por um prêmio no final da festa. Ou seja, Fallas = escola de samba em menor escala. Fallas/ esculturas =carro alegórico.
Eles até elegem um madrinha de bateria, as Falleras, que são mulheres escolhidas pra representar a Falla e ao final da queima choram pelo ano de glamour de miss que se acabou.


- Acabou nunca mais seremos Falleras.
Se for como ex-miss no Brasil acabo de me tornar Vera Fischer


Há meia-noite começa a tão esperada queima. Confesso que deu dó ver esculturas tão bonitinhas que se pareciam com desenhos fofos de livro infantil serem queimados, levando a platéia a loucura. Mas tudo bem, eu me contento em apreciar o valor antropológico do ritual.



Paralelamente a isso, existem outras atrações, como uma imagem da Virgem enorme, que tem seu manto composto por flores que são oferecidas pelas Falleras durante a Ofrenda. Tem a Cabalgata, um desfile ao som de fogos de artifício – isso mesmo, SOM, porque é só o barulho ensurdecedor – a Mascletà que é um show pirotécnico de verdade durante a noite, e uma competição entre as ruas mais iluminadas, tipo bairro classe média alta paulistano no natal.


- Não sei, acho que as mansões dos Jardins têm um estilo mais contemporâneo de pisca-pisca.
- Já essa renda toda trabalhada é coisa fina



Foi hiper cansativo, mas valeu a pena. Sem dúvida é melhor do que axé – ou qualquer outro assassinato musical – entoando na cabeça pelas noites suadas do Brasil. Claro, que os espanhóis ainda precisam de uma lição brasileira de como se divertir em bando, mas a crença, a emoção e o entusiasmo que eles têm com suas tradições são de se admirar. Não sou boa o suficiente para explicar com palavras, então fiz um videozinho (tão de perto que sai bronzeada com o fogo) do momento exato da Cremá.


***

Eu não fui a unica a viajar. Letícia está em sua Spring Break (isso é tão The O.C.)e foi se tornar uma criança mais completa na Disney. Fico aguardado um post bem inspirado.

Na Pasarela, Cibele

Eu não sei se nós que somos muito atrasados ou a moda européia que é demasiada adiantada. Enquanto no Brasil o inverno do ombrismo, das rendas e tachas (de novo) ainda chega às lojas, aqui o pessoal já tá mostrando o inverno 2011(!)


Pegando carona nas últimas semanas de moda mais glamour da Europa, resolvi fazer a fútil (ok, todo mundo sabe que sou fashionista paraguaia assumida) e ir lá na Madrid Fashion Week Pasarela Cibeles dizer ¡Hola!


Nada de vermelhos dramáticos de Valentino, nem militarismo Balmain, nem elegância Givenchy. Encontrei era um evento loco, com gente esquisita. Mistura de criações sem pé nem cabeça com uma atmosfera tão espanhola estereotipada do jeitinho que titio Almodóvar me ensinou, com certas pitadas de vanguarda. Amei!





Depois de me divertir horrores com a minha incapacidade de entender a moda "conceitual" fui para casa me informar ao assistir um programa matinal a la Márcia Goldmit (ok, tô com preguiça de procurar), que possuia a seguinte frase rolando na tela: La moda española es arte o excusa para la falta de talento de los jovenes diseñadores? Nem preciso contar o quanto eu ri com a briga dos clássicos defensores da Haute Couture x muderninhos safados que sonham em ser stylist da Ke$ha.






Mas como eu sei que metade das pessoas que lêem este blog, inclusive a outra metade que escreve, nem ligam para essa coisa de semana de moda, vamos ao que interessa: o que vestia o público - a gente nem tanto como a gente. Saquei minha câmera, fingi que tinha um blog Streetstyle e fui clicando.






Óbvio que guardei o melhor pro final



¿Donde estavas? Salamanca

Eu sei, somos sou uma vergonha como blogueira. A verdade é que ainda estou me acostumando com a ideia. Criar um post se tornou um momento de angústia, sempre começo e deixo pra depois. Tem tanta coisa acontecendo que o tempo que sobra uso pra dormir. Mas vamos ser justos e cumprir a promessa... que saia um post. ¡Ya!


Meia noite. Estação de trem vazia em uma pequena cidade espanhola. Duas jovens brasileiras histéricas se abraçando. Deu pra imaginar? Pois então... fazia cinco meses que eu não via a Joana, amiga de anos que estava em intercambio em Portugal.

O reencontro se deu em uma viagenzinha básica pelo litoral Luso-Espanhol repleta de paisagens lindas, perna boa para caminhar, estômago preparado para degustar tudo o que víamos e fígado refinado acostumado à Bartolo estranhado os vinhos acima de R$ 5.




Como em toda cidade espanhola, La Plaza Mayor.
Mas essa é famosa. Estão reconhecendo? Não?


Se você quer ter uma vida bem universitária na Espanha, esse é o local. E não é pelas festas sertaneja-pagode-funk universitário ou qualquer outra festa cafona de mau gosto que tem no nosso querido Brasil. Estou falando de Europa, e cidade universitária na Europa têm: um centrinho charmoso construído na Idade Média, mil museus que exalam cultura, e vida noturna non-stop. E obvio muito, muitos estudantes.


Salamanca faz parte da comunidade autônoma de Castela e Leão e fica há uns 200km de Madrid. Não sei explicar direito o que tem de especial nessa cidade, só sei que ela fascina. Talvez seja a mistura irresistível entre a elegância e imponência arquitetônica com o o zumbido da juventude espanhola que atravessa pelas ruas sem pausa.




Rã na cabeça da caveira é tipo mascote da cidade.
Dizem que quem consegue achá-la em uma das torres da fachada
da Universidade terá sorte nas provas.


Atenção: qualquer pessoa que danificar livros ou
pergaminhos da biblioteca está sujeito à excomunhão.


De dentro da Universidade de Salamanca, em seu monumental edifício renascentista fundado em 1218 (a mais antiga da Espanha, os espanhóis juram que da Europa), pode-se ver nas mesmas cadeiras que pertenceram à Cristóvão Colombo, jovens “mudérrnos” e vintage como essa coisa fofa que parecia não sentir frio.

tálinda


Mas de tudo que vimos o que impressionou mesmo foi a Catedral, que é formada por duas torres que competem entre si para ver quem é maior e mais escândalo. Uma é barroca e outra romântica. Não que eu saiba diferenciar, mas na versão Ciça de arquitetura europea é assim: uma assusta (barroca) e a outra deslumbra (romântica). Fiz um vídeozinho bem tosco mas que dá para ter uma ideia.



Ah... e assim no meio do dia você pode encontrar com Los Tunas: grupo de estudantes que tocam músicas medievais em troca de dinheiro. É uma tradição antiga que eu esqueci de tirar foto mas o aquele menino do Multishow que tem o melhor emprego do mundo filmou. (lá pelo minuto 10:00)


Mas a fama da cidade se justifica a noite. Bares, restaurantes, praças. Chega meia-noite e os jovens começam a pipocar pelas ruas. Quer saber onde tem algo bom? È só segui-los. E foi o que fizemos.


Na primeira noite fomos para em... uma festa brasileira. Caipirinha, samba, Seu Jorge e um pessoal bacana de Fortaleza que foi essencial para a nosso segunda noite. Essa sim, típica salamanquense de Salamanca. Festa Espanhola, muita gente, do mundo todo (a universidade recebe cerca de 7 mil alunos estrangeiros por semestre), 5 euros, bebida liberada, a noite toda..... ou melhor até as 2:00. Nesse exato horário somos expulsos porque a casa fecha e outra abre. Ou seja, mil pessoas pelas ruas marchado de bar em bar. A última abre as 8:00, pra quem agüentar.


Ah... isso era uma terça-feira. Não fiquei para saber como era no sábado. Mas voltarei.



Em alguns minutos toda essa gente marchará em direção à próxima night





Notas sobre a universidade americana

AAAH, uma atualização! SURPRESA! O DEBAI não morreu, ou pelo menos ainda não. Peço desculpas pelo sumiço e prometo aparecer por aqui mais vezes, ou pelo menos com uma frequência mais perto da decência (aliás, ainda tem alguém aí?). E hoje vou escrever um pouco sobre o porquê desse tempo todo sem posts. Ok, parte é preguiça, parte é bloqueio, parte é procrastinação, mas parte são essas aulas americanas, que não são pouca coisa. Como eu vi que ainda não escrevi nada sobre a NYU em si, acho que cabe falar um pouco sobre como é essa college life yankee.

Vista surpresa que eu achei no nono andar de um dos prédios da NYU

A maioria dos prédios da universidade fica ao redor dessa praça da foto, transformando a área numa espécie de campus, coisa que a NYU não tem. Não sei se para tentar se redimir disso ou só porque eles têm muita grana pra gastar, a maioria dos prédios tem áreas comuns cheias de sofás e lugares pra galera socializar, estudar, dormir, e outras coisas que todo universitário adora fazer nos intervalos.

Mas calma. Intervalos? NOT! Horário de almoço não existe pra eles, e algumas das minhas aulas vão das 11h às 13h45. Mas o máximo de créditos para cada semestre é 16, então cada um dá um jeito de rearranjar o relógio biológico e customizar os horários das refeições. E para quem acha que 16 créditos é pouca coisa (tipo eu antes de começar a ter aulas), saiba disso: 16 créditos de aulas que realmente exigem trabalho e leitura não é pouca coisa. E newsflash: AS PESSOAS REALMENTE LEEM.

A biblioteca gigantesca deles está aberta 24 horas, 7 dias por semana (conheço quem já dormiu lá depois de festa e reza a lenda que um aluno morou nela por um ano). Nos finais de semana alguns prédios ficam abertos para as pessoas usarem as áreas comuns, e eu já testemunhei pessoas estudando na common area do meu dormroom as 3 da manhã de um sábado. E aí fica mais claro como esses alunos são tão inteligentes e informados. Nas aulas, todo mundo fala e dá a opinião sobre as leituras. Não ler e tentar se camuflar num canto não é bem uma opção, a não ser nas aulas com mais de 60 alunos - mas mesmos essas tem horários administrados por mestrandos, com turmas menores.

É lógico que o meu eu procrastinador não morreu e coisas como descobrir que tenho dois dias pra ler 600 páginas de Tom Wolfe acontecem, mas eu tenho que dizer que eu adoro (quase todas) as minhas aulas. Em uma delas, Issues in Covering the Middle East, estou estudando história atual do Oriente Médio com um cara que já cobriu o Oriente Médio, o que é sempre bom num jornalista (fica a dica pra aula de Jornalismo Internacional da UFSC). Em outra chamada Cities in a Global Context, eu tenho que admitir que ainda não entendi direito o que a gente está fazendo, mas é interessante na maioria das vezes (começarei um livro em inglês sobre São Paulo essa semana... pois é). Numa chamada Storied New York, estamos basicamente aprendendo a história da cidade e como escrever sobre ela através de textos, reportagens e livros sobre NY. E o professor é genial: escreveu um dos roteiros de New York I love you e começa aulas falando coisas como "Então ontem eu estava jantando com o editor da New Yorker e...". E os meus últimos quatro créditos são ministrados por um escritor chamado James McBride, que na primeira aula separou a turma em pares, me entregou um balde e uma esponja e disse "Saiam, arranjem o que fazer com essas coisas, conversem e na volta vocês vão escrever um sobre o outro". Ah, e essa aula envolve ler em voz alta para a turma inteira os textos que a gente escreve. Pavor imenso? Sempre, mas vale a pena.

Enfim, isso é um pouco da minha rotina acadêmica, que também envolve coisas mais lights, como ir no cinema de graça ver os filmes indicados ao Oscar, num programa patrocinado pelo meu dormroom, ou ir comer torta no horário da aula como parte do assignment.

Bonus Pictures:
O que é aquela coisa que parece um centro de recrutamento do exército americano no meio da Times Square? Ah, é um centro de recrutamento do exército americano no meio da Times Square. WTH? E eles têm propagandas enormes e épicas antes dos trailers no cinema. Me diz por que tentar recrutar pessoas pra GUERRA em lugares onde a) só tem turista b) as pessoas estão de fato se divertindo?

Arte legal no Museu de Arte Moderna, que é de graça na sexta-feira depois das 16h! Lá também eu vi a exposição do Tim Burton (que infelizmente não deixava tirar fotos) e vou dizer uma coisa: ele já era louco e genial desde criança. E é oficialmente the coolest person alive hoje em dia. Queria muito ter tirado foto de uma carta do Tim Burton pro Johnny Depp falando "So I was thinking that Willy Wonka could say 'Everything in this room is edible. Even I am edible, but that is cannibalism, children, and it's not accepted in most cultures'. What do you think?"



 

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