Uma semana rica e fina, ou restaurantes em que nunca mais irei

Meu amigo do Chile costuma dizer que "NYC sempre acha algum jeito de te fazer gastar dinheiro". Eu sou mais da opinião que o problema não é só Nova York e sim eu que sempre arranjo um jeito de gastar dinheiro. Mas uma coisa é consenso entre qualquer pessoa morando ou visitando a grande apple: NYC é um lugar caro.

Mas Nova York também é boa em dar chances de curtir um pouco da boa vida, e uma dessas oportunidades coincidiu bem com o início do meu mês financeiro - o que resultou, obviamente, em pura alegria. Foi a Restaurant Week Winter 2010, um momento de comunhão entre os restaurantes mais luxuosos e finos da cidade e nós, meros mortais que não podemos gastar salários mínimos em uma 3-course-meal.

Durante duas semanas (excetuando os sábados, porque acho que os Upper East Siders precisam ter algum dia para usufruir da sua exclusividade - e alguém consegue ver Blair Waldorf jantando no mesmo restaurante que grupos de turistas que pedem para o garçom tirar foto da mesa?), 120 restaurantes oferecem um menu especial com preço fixo para almoço (U$24) e jantar (U$35).

Ninguém perde uma oportunidade dessa, então aproveitei a chance para comer comida de verdade pelo menos duas vezes (não deu para usufruir mais porque na minha lista de prioridades comprar ingressos para shows vem antes comer). E comecei no hotel mais luxo da cidade, o Plaza. De frente para o Central Park, no Upper East Side, o jantar de três pratos do restaurante The Oak Room foi todo bom, desde o couvert com pães deliciosos até o momento ops-me-perdi-no-caminho-para-o-banheiro-e-tirei-fotos-nos-corredores-decorados-com-fotos-do-Ringo-Starr-e-da-Brigit-Bardot-no-hotel. Mas os pontos fortes com certeza foram o cheesecake de rasberry de sobremesa e o garçom idêntico ao Chace Crawford.

Minha segunda incursão na mundo gourmet nova-iorquino foi numa steakhouse, porque como qualquer brasileiro carnívoro que sai do país, eu morro de saudade de um bife de verdade. Vou dizer que a carne não estava tão boa quanto os bifes de filé mignon que minha mãe faz, mas deu para matar a vontade. E o restaurante, o Porter House, dentro do Time Warner Center, uma espécie de shopping em Columbus Circle, fez valer a pena. A vista para o Central Park é maravilhosa e eu tenho que dizer que foi divertido ver que eles serviram ketchup só porque o prato tinha batata frita. Imagino o dia que isso vai acontecer no Brasil, onde se você pedir ketchup numa pizzaria mais refinada as pessoas te olham de cara feia.

Bonus pictures:
Vista de dentro do Time Warner Center: as árvores são o Central Park, a praça é a Columbus Circle, os táxis amarelos eu nunca canso de ver.

Ainda bem que a agência do Banco do Brasil aqui fica no Rockfeller Center, o que me levou até aqueles lados da Times Square, o que me fez andar aleatoriamente pela 5th Ave, o que me fez encontrar uma loja oficial da HBO. Não resisti e comprei Tru Blood. Acabei de provar: tem gosto de fanta laranja diet, mas é vermelho. Acho que gelado ficaria melhor, mas estou com medo do que minhas roomates vão achar de mim se eu colocar na geladeira.

Uno, dos, tres... vamos.

Quando cheguei a Madrid, há quase duas semanas, tudo o que eu tinha na mão eram duas malas gigantes e o endereço de um hotel. Não sabia onde ia morar, com quem e nem como começar a procurar.

Se você achava que difícil era encontrar um apartamento na Trindade (Florianópolis), tente fazer isso onde janelas parecem desnecessárias, onde desconhecem lâmpadas florescentes, amam viver no escuro, “quarto pequeno, porém aconchegante” é sinônimo de porão. Enfim, demorei, mas encontrei. E por sorte. Estava andando na rua e a plaquinha de “aquiler” pulou nos meus olhos.

Nos próximos meses vou dividir um apartamento com mais cinco estudantes estrangeiras: duas dos estados Unidos, uma da Guatelama, uma do México e uma da Itália. Livros de Cervantes, imitações do Velásquez e lustres de plástico cristal decoram o meu novo lar, tão cafona que se torna cool. Um apartamento típico europeu dentro do bairro mais madrileño da cidade. É pra esquecer definitivamente que existem turistas.

Essas duas semanas em Madrid foram muito importantes pra descobrir e vivenciar uma cidade longe da rota turística (acreditem: eu ainda não fui a nenhum ponto turístico). Observar o comportamento das pessoas, e ter mil e uma ideias do que postar aqui no blog.

A partir de agora eu me junto oficialmente a Letícia. Em outra cidade, em outro fuso horário, em outra língua. Mas agora no mesmo blog.

 

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